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Perguntas Freqüentes

O que é Psicoterapia?

De modo simples e objetivo podemos dizer que psicoterapia é um processo de ajuda para o nosso desenvolvimento psicológico. Ou seja, um processo pelo qual ampliamos a consciência sobre nós mesmos e que nos incentiva a buscarmos recursos internos para lidarmos com as várias questões que permeiam o nosso viver.

A palavra PSICOTERAPIA vem de terapia que significa tratamento e psico que se refere ao nosso psicológico, a nossa mente, personalidade e comportamento. Assim, psicoterapia é uma forma de tratamento da nossa dimensão psíquica.

É também, portanto, um processo de busca por autoconhecimento. E implica num compromisso com o próprio crescimento pessoal e com o reconhecimento da responsabilidade que temos perante a nossa própria vida.

Todas as pessoas precisam fazer Psicoterapia?

Não necessariamente, mas todos deveriam querer evoluir, pois tudo que está parado ou estagnado, degenera, adoece, pois se põe contra o fluxo da vida.  E isso também vale para o aspecto psicológico do nosso ser-estar no mundo  que é formado por uma série de funções internas e complexas  que  uma  vez  negligenciadas  podem  ser  causa  de  muitos  sofrimentos.

A psicoterapia é apenas um meio, dentre outros, para lidarmos e nos colocarmos mais conscientemente em favor do fluir, tanto das mudanças necessárias, quanto daquelas que simplesmente ocorrem em nossas vidas.

Toda a pessoa humana deveria ser interessada em se melhorar, em se autoconhecer e dar um sentido evolutivo a sua própria existência, ou quem sabe, simplesmente desenvolver maior maturidade psicológica e existencial. No entanto, há muito desinformação sobre a nossa dimensão psicológica e muitos estão condicionados a acreditar numa ‘ilusão’ de auto-suficiência, até mesmo achando que a busca por uma ajuda profissional poderia ser um indicativo de incapacidade em lidar com os próprios problemas, ou de fraqueza mental, debilidade ou até mesmo de anormalidade ou loucura!

Só que ninguém aprende nada sozinho, pois crescemos nos encontros, enquanto seres que aprendem através das relações. E a “prática clínica” tem demostrado que a necessidade de fazer terapia, dentro de uma  perspectiva evolutiva,   pode ser considerada natural. Do mesmo modo que um dia fomos a escola para apender a ler, a escrever, a conhecer, etc, podemos em algum momento da vida procurar a terapia para nos alfabetizarmos emocionalmente e nos autoconhecermos  mais e  melhor, desenvolvendo assim  personalidades mais abrangentes, permitindo-nos viver o tão mais plenamente e em contato com a nossa essência quanto pudermos.

Quando iniciar um processo psicoterapêutico?

Nem sempre as pessoas conseguem fazer uma auto-observação e avaliação ou diagnóstico honesto de si mesmas do ponto de vista psicológico, principalmente pela influência de questões inconscientes, do nosso lado sombra que gera pontos cegos em nossa visão a respeito de nós mesmos, bem como, uma certa tendência ao comodismo, ou seja, da mente racional em se auto-enganar a fim de manter a zona de conforto, ou ainda, de ser deveras auto-condescendente. Devido a nossa inconsciência a esse respeito, tal combinação de fatores inerentes a nossa condição psíquica tende a nos enrijecer resultando na repetição de padrões comportamentais disfuncionais ou estereotipados que podem dar forma aos mais variados tipos de psicopatologias encontrados em manuais de classificação e diagnóstico.

A psicoterapia além de tratar conflitos internos e de relacionamentos, pode também promover uma série de benefícios a quem busca se desenvolver, abrindo caminhos à descoberta de potencialidades interiores e a superação de limitações, ou até mesmo prevenindo a ocorrência de problemas ainda maiores ou até doenças e somatizações.

Psicoterapia é trabalho sobre si. E nesse trabalho interior o sujeito pode exercitar-se na busca do desenvolvimento de talentos que possam estar bloqueados ou no aprimoramento de suas competências, ou até mesmo, na descoberta de novas habilidades ou dons.

Mais do que apenas tratar distúrbios psicológicos, a psicoterapia pode ser utilizada também como método de educação emocional e para fins de autoconhecimento.

Portanto, não há nenhuma restrição em recorrer à psicoterapia em qualquer ponto da vida em que o indivíduo sinta a necessidade de se engajar em tal processo. Essa necessidade não precisa estar atrelada a sintomas, doenças ou psicopatologias tão somente, mas a um desejo sincero e honesto de se melhorar como pessoa.

Psicoterapia, Terapia, Aconselhamento e Análise são o mesmo?

A Psicoterapia é desenvolvida por profissionais graduados em Psicologia ou Medicina e que por formação utilizam-se de técnicas psicológicas. O psicoterapeuta é um profissional formado, geralmente, em Psicologia, ou médico que fez uma formação complementar e residência em algum tipo de psicoterapia. Dentro do espectro da psicoterapia existem várias formações teóricas ou especialidades conhecidas como abordagens ou linhas de trabalho. E cada psicólogo ou médico se especializa na abordagem com a qual mais se identifica.

A Terapia está mais diretamente ligada a práticas alternativas, complementares, significando qualquer pessoa que se dedique a uma prática de cura ou terapêutica.

O Aconselhamento é definido como uma intervenção de apoio, o aconselhador desempenha a função de dar suporte às questões circunstanciais e privilegia aspectos relacionados ao desempenho de papéis nas diferentes situações de vida e na discussão pontual de problemas. Os profissionais que atuam nessa função podem ser provenientes de áreas distintas, como terapeutas ocupacionais, padres, pastores, pedagogos, orientadores educacionais, assistentes sociais, etc. Deve-se considerar que a psicoterapia e o aconselhamento podem apresentar algum grau de similaridade, pois em ambos os casos subentende-se uma relação de ajuda.

Já a Análise é um termo comumente utilizado para expressar uma relação fundamentada em uma linha terapêutica específica que é a Psicanálise fundada por Sigmund Freud e difundida por seus seguidores.

Qual a diferença entre Psicólogos e Psiquiatras?

O Psicólogo é formado em Psicologia e trabalha com técnicas ou abordagens de psicoterapia, enquanto o Psiquiatra é formado em Medicina e pode prescrever remédios. Em alguns casos o psiquiatra pode possuir formação em alguma linha de intervenção psicológica, podendo atuar também como psicoterapeuta.

E nesse contexto das Psicoterapias e técnicas, o que seria a Regressão de Memória?

A técnica de regressão é um recurso psicoclínico que faz parte do processo de psicoterapia geralmente de orientação mais transpessoal, e que juntamente com outras técnicas integradas, defini-se como um método de acesso ao inconsciente que trabalha com a liberação e ressignificação das emoções, bem como, com a reformulação de scripts ou crenças disfuncionais, possibilitando a mudança de padrões comportamentais negativos e limitantes, tornando acessíveis novos modos de ser, de nos relacionarmos e darmos sentido a nossa própria vida.

O que é Psicologia Transpessoal?

O aporte transpessoal parte do pressuposto de que além das dimensões biopsicossociais já bastante estudadas pelas abordagens mais tradicionais, também deveríamos levar em consideração e reconhecer a importância das dimensões espirituais ou cósmicas e o potencial de evolução e transcendência da consciência.

Portanto, é uma escola da Psicologia voltada especialmente para o estudo, a pesquisa e a vivência da Espiritualidade numa visão integrada e influenciada pelas principais contribuições das escolas psicológicas e ciências ocidentais, bem como, de tradições orientais milenares, como a filosofia e a religião.

Devido ao lastro de avanços na pesquisa do psiquismo humano que culminaram nas décadas de 60 a 70 e o crescente interesse e intercâmbio entre os eruditos do ocidente e as religiões orientalistas, inclusive com renomados investigadores indo pesquisar o budismo tibetano e outras filosofias religiosas orientais como o sufismo, os upanishades, o hinduísmo, etc., tornava-se cada vez mais premente a necessidade de se criar uma Psicologia e Filosofia que incluísse também questões transcendentais, transhumanisticas, que nos reconectassem ao cosmos, ampliando os nossos horizontes e trazendo-nos a perspectiva de algo para além do nosso ego, algo além da pessoa e de suas convenções culturais e sociais, algo que nos possibilitasse um sentido mais elevado para a nossa existência.

Assim nasceu a Psicologia de orientação Transpessoal, oficializada em 1968 por Victor Frankl, Stanislav Grof, James Fadiman, Antony Sutich e Abraham Maslow, como uma quarta-força da Psicologia, logo após, respectivamente o Behaviorismo, a Psicanálise e o Humanismo, trazendo a proposta e o desafio de criarmos um sistema aberto e em constante atualização de compreensão da vida, baseado no estudo, na pesquisa, na vivência e na aplicação dos diferentes estados e níveis de consciência em prol do desenvolvimento integral do ser humano. Orientando-nos principalmente a desenvolvermos nossas potencialidades através do autoconhecimento por meio de práticas que possibilitem novas percepções e novas relações em nosso viver e com o próximo, facilitando também, e principalmente, a encontrarmos um sentido mais sensível e sagrado para nossas vidas.

E o que seria a Terapia de Revivência Transpessoal?

Seria um método de Regressão de Memória baseado nos pressupostos da psicologia de orientação transpessoal e que segundo seu sistematizador, o psicólogo Antônio Veiga, conceituaria-se “como um modelo psicoterapêutico catártico que tem por objetivo drenar a carga emocional reprimida no inconsciente, em tempo próximo ou remoto, responsável pelos transtornos que geram sofrimento na vida presente do indivíduo, possibilitando a ampliação da consciência sobre as reais causas que originaram tais transtornos”.

E qual a relação entre Terapia de Regressão e Terapia de Vida Passada?

Existem muitas tentativas explicativas para a fenomenologia regressiva, ainda assim, a perspectiva de “vidas passadas” é apenas uma dentre as várias possibilidades de interpretação dos relatos de regressões. Sabe-se que “os pressupostos formam hipóteses sobre a natureza de uma realidade; quando se reconhece isso, os pressupostos funcionam como hipóteses; quando disso se esquece, eles funcionam como crenças.” (Roger Walsh, Além do Ego, Cultrix, 1991).

É muito comum entre os pacientes se atribuir o conteúdo acessado em uma regressão como decorrente de vidas passadas, tendo em vista a popularidade do paradigma da reencarnação. No entanto, essa é apenas uma hipótese, como são também todas àquelas alicerçadas em outros paradigmas como o do inconsciente coletivo junguiano, a transmissão de memória entre gerações, universos paralelos, memória genética, etc., ou ainda, todas àquelas que levantam indícios quanto a tais conteúdos poderem ser produtos de fantasias, imaginação, ilusão, dramatização, criações da mente, devaneio, delírio, alucinação, histeria, falsa memória, confabulação, etc.

Ocorre que tal fato não tem tanta significância no processo terapêutico, pois o objetivo é a remissão de sintomas dos quais o paciente é portador, com a desativação de suas causas. Portanto, se atingido esse objetivo, as metas estão alcançadas, independentemente do que se possa pensar sobre essas vivências, das causas que se queira atribuir a elas ou das explicações e hipotéticos paradigmas que se queira assumir, o que vai da liberdade de credo de cada um, conforme atesta a nossa própria Constituição Federal.

Os conteúdos aflorados são trabalhados tais como se apresentam para a pessoa, como modos de elaboração e ressignificação genuínos, correspondentes a verdade própria e íntima de cada paciente e que deve ser respeitada terapeuticamente. Portanto, convém deixarmos que as pessoas decidam por si mesmas qual a real natureza daquilo que acessaram.

Segundo explica o psicólogo Júlio Peres, doutor em neurociências e pesquisador da espiritualidade: “(…) Mesmo que uma memória emocional não forneça um retrato completamente factual da experiência passada, o conteúdo emocional, configurado como uma memória é uma representação absolutamente genuína dos referenciais internos do indivíduo.” E complementa: “O psicoterapeuta pode ajudar o paciente a tornar-se consciente do “lugar/papel” comum ocupado em diferentes enredos emocionais passados. Essa consciência viabiliza a escolha de novas atuações saudáveis no presente contexto de vida. (…) A desarticulação das dinâmicas patológicas se processa com o fortalecimento gradual de novos diálogos internos resilientes. (…) Se um ‘lugar’ específico é ocupado em diversas histórias emocionais passadas, então a mesma dinâmica pode estar presente na dificuldade atual do paciente. A psicoterapia pode, assim, trazer padrões previamente inconscientes de comportamento à luz da consciência. As redecisões cognitivas baseadas no repertório resiliente do indivíduo podem promover a construção de novos diálogos internos, sentimentos e comportamentos mais saudáveis.” (Júlio Peres, Juliane Mercante, Antonia Nasello, em Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul,  vol.27,  nº.2,  Porto Alegre, 2005)

Ou seja, padrões comportamentais disfuncionais e condicionados podem ser mudados a partir da reconfiguração eficiente de suas estruturas psicodinâmicas inconscientes. “O passado é maleável e flexível, modifica-se com novas interpretações das recordações e re-explicações do que aconteceu.” (Peter L. Berger, Invitation to sociology: a humanistic perspective. New York: Anchor; 1963. p. 57)

Assim, independente da crença que cada pessoa queira atribuir a sua vivência, o fato é que a regressão possui “eficácia simbólica” conforme conceituada por Claude Lévi-Strauss, também podendo ser interpretada a partir do conceito de “imaginário social-histórico” de Cornelius Castoriadis, ou do “imaginário cultural” de Gilbert Durant, discípulo de Gaston Bachelard e sua “cosmovisão” que incluía o “imaginário poético” dos “símbolos, mitos e arquétipos” e sua capacidade de recriação, de recomeço, de criação simultânea do ser, da língua e do mundo; ou seja, conforme nossa compreensão e proposição psicoterápica, o uso eficiente do imaginário, dos referenciais internos e das crenças dos pacientes em favor do processo terapêutico e da reinvenção de si mesmos a fim de promover a saúde mental.

Vários estudos e investigações promovidos por núcleos de pesquisa acadêmica em espiritualidade (NUPES/UFJF, NER/UnB, LIASE/UFG, ProSer/USP, NUSE/USP, LASER/UNICAMP, NIETE/UFRGS, etc.) vêm demonstrando que o conhecimento e a valorização dos aspectos resilientes, afetivos, salubres dos sistemas de crenças espirituais e religiosos dos pacientes colaboram com a aderência do indivíduo ao tratamento e, também, para melhores resultados nas intervenções terapêuticas.

Ademais, Jung, em seu tempo, já alertava-nos para importância de considerarmos diferentes perspectivas na psicologia: “Se hoje existe um campo em que é indispensável ser humilde, e aceitar uma pluralidade de opiniões aparentemente contraditórias, esse campo é o da Psicologia aplicada. Isto porque ainda estamos longe de conhecer a fundo o objeto mais nobre da ciência – a própria alma humana. É pelo ser humano que devemos começar, para poder fazer-lhe justiça.” (apud Roberto Crema, Saúde e Plenitude, 1985, p.100)

Consecutivamente, a TRT-Terapia de Revivência Transpessoal não deve ser confundida com nenhuma modalidade de tratamento ou procedimento religioso, sendo a rigor, utilizada estritamente para fins terapêuticos. Por esse motivo é realizada em consultório, por médicos e psicólogos com especialização nesta área, obedecendo a todas as normas de respeito ao cliente, à ética e ao sigilo profissionais.

Existe algum direcionamento mais específico para indicação do método de Regressão para tratamento, como traumas, por exemplo? Ou poderia ser aplicado para os mesmos fins de uma terapia convencional?

A regressão é um método que pode ser empregado ou não conforme cada caso dentro de um processo de psicoterapia transpessoal. Todavia, podendo servir a ambos os fins, ou seja, tanto para traumas quanto para conflitos como os trabalhados na terapia dita convencional.

Ela é orientada ao alivio do sofrimento na resolução de conflitos de relacionamentos e tratamento de psicopatologias, como transtornos psíquicos em geral.

No entanto, mais do que apenas tratar distúrbios psicológicos, a psicoterapia regressiva vem sendo utilizada com igual eficácia como método de educação das emoções, seja para desenvolvimento afetivo e de habilidades interpessoais, seja para fins de autoconhecimento ou para o aumento da chamada “resiliência”, que é a capacidade de enfrentar, dar sentido e superar os problemas e crises nas relações e na vida com um enfoque no crescimento pessoal, profissional e existencial.

Existe alguma “contra-indicação” para a aplicação da Terapia de Regressão?

Todo o método tem indicações, limitações e contra-indicações. A TRT não é uma panacéia ou um instrumento miraculoso ou mágico que possa resolver todos os problemas de todos os pacientes.

A seguir, algumas de suas indicações, contra-indicações e limitações:

Indicações: Transtornos psíquicos, somatoformes e orgânicos; dificuldade de relacionamento interpessoal; transtornos do humor ; transtornos fóbico-ansiosos; outros transtornos ansiosos; transtorno obsessivo-compulsivo; reação a estresse grave e transtorno de ajustamento; transtornos dissociativos; transtornos de hábitos e impulsos; transtornos de sexualidade; transtornos específicos do desenvolvimento de fala e linguagem; transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares; doenças orgânicas: algumas, cujo tratamento médico não tem resultados; transtornos somatoformes (antigos psicossomáticos); transtornos alimentares; transtornos não orgânicos do sono; abuso de substâncias que produzem dependência.

Contra-Indicações: Moléstias orgânicas descompensadas, como: cardiopatias, hipertensão, processos infecciosos, etc, que podem exacerbar-se durante a vivência do trauma e trazer conseqüências agravantes; estado de sonolência e cansaço físico: dificulta o vínculo paciente-psicoterapeuta e a condução da sessão; regressões coletivas: porque num grupo de pessoas que regridem, muitas podem vivenciar situações traumáticas, das quais não conseguem sair sem o respaldo de um psicoterapeuta experiente; paciente entrando em episódio psicótico, psicoses e pré-psicoses; deficiências físicas e mentais que impeçam o contato paciente-psicoterapeuta; pós-prandial: refeições pesadas podem causar transtornos gastrointestinais ao paciente durante a regressão; terapeutas inexperientes: é um risco submeter-se à regressão feita por pessoas que não são médicos ou psicólogos muito bem treinados sob o risco de se agravar o problema; auto-regressão: o paciente pode vivenciar traumas dolorosos dos quais pode não conseguir sair sem a orientação de um psicoterapeuta experiente. Crianças e adolescentes pela questão da imaturidade psíquica.

Limitações: Deficiências mentais, paciente em surto, descompensação por alguma enfermidade grave.

Pode ser aplicada em crianças, por exemplo?

Crianças ainda não têm uma estrutura de ego adequada para acessar traumas e dramas inconscientes mais diretamente, portanto, a TRT não se aplica a elas e nem mesmo a adolescentes, salvo raras exceções, quando apresentam uma maturidade psíquica diferenciada.

Qual a duração em média do tratamento?

Isso é muito variável, pois depende de muitos fatores como a sintomatologia, as necessidades, o nível de consciência  e as próprias metas terapêuticas de cada pessoa.

Sabes da existência de algum tipo de trabalho sendo realizado a fim de comprovar cientificamente o método?

Sim, mas primeiramente há de considerar a discussão do que seria Ciência. Há vários tipos de Ciência. Aliás, o tipo de ciência que fala em “comprovação” é a do paradigma positivista/representacionista, que ignora que o próprio pesquisador lança suas inferências pessoais sobre o objeto de sua pesquisa, ou seja, construindo resultados que supostamente “representariam” a realidade, mas que na verdade constituem apenas um tipo ou recorte de realidade.  Nada é comprovado mais sim proposto. Cientistas condicionam os resultados de suas pesquisas, portanto, não comprovando, mas sim propondo interpretações que podem ser válidas, claro, mas de modo limitado, contextual e provisório. Qualquer universalização nesse sentido não passa de  ingenuidade filosófica.

Ciência também é uma questão de fé, pois todos os “critérios” científicos são subjetivos, não objetivos! O fazer científico dito oficial é apenas um tipo de experiência “construída” que é erroneamente propagandeada de forma “absoluta”, mas que pode adquirir sim certa validade “relativa” por ser sistematizada e compartilhada numa comunidade de iguais, ou seja, gerando um acordo social entre pessoas que valorizam e vivenciam um mesmo tipo de experiência.

Conforme já defendiam vários filósofos, bem como, atestam outros tantos pesquisadores modernos, a Ciência, ou qualquer tipo de ciência e, por conseqüência, o cientista, não “comprova” resultados, mas os constrói, com a diferença de que isso pode ser feito de modo mais ou menos consciente e idôneo.

Mas existem pesquisas, artigos e livros que propõe ou atestam a validade desta técnica?

Sim, é possível listar pesquisadores importantes no campo investigativo das terapias regressivas e que “propõem”, a partir de diferentes paradigmas e fazeres científicos, suas próprias evidências, experiências e interpretações. E essas estão cada vez mais numerosas e também mais sofisticadas, inclusive, com a utilização de aparelhagem de mapeamento cerebral para rastrear as correlações entre mente-cérebro durante uma sessão de regressão.

São muitas investigações, livros e profissionais que já escreverem a respeito do tema ou que seguem produzindo novas evidências. Destacaria três obras atualmente:

Trauma e Superação, Dr. Julio Prieto Peres – psicólogo e neurocientista brasileiro, autor de estudos sobre mapeamento cerebral e áreas ativadas durante a regressão. Trabalha com o método regressivo TRVPeres, ou melhor, Terapia Reestruturativa Vivencial Peres, criado por sua mãe, a médica Maria Julia Prieto Peres, do Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Reestruturativa Vivencial Peres. 

As Várias Vidas da Alma, Roger Woolger – psicólogo junguiano (falecido recentemente) e criador do método de Terapia Regressiva Integral. Fundou a Woolger Trainning International na Inglaterra, sua terra natal e ensinava seu método em vários países, inclusive no Brasil, tendo formado uma série de terapeutas, deixando importante legado.

A Psicologia do Futuro, Stanislav Grof – psiquiatra tcheco, um dos fundadores da Psicologia Transpessoal, pesquisador da fenomenologia dos estados alterados de consciência e autor de várias obras nesse campo.

E que outros autores e profissionais poderia destacar nesse campo?

Num panorama mundial do trabalho investigativo com Terapia de Regressão, partindo do pressuposto de que a hipótese do paradigma da reencarnação não só seja válida, mas também bastante popular e com extensa produção bibliográfica, temos na Holanda o trabalho de Hans Tem Dam, autor de diversas obras. Na Alemanha, Harald Wisendanger, em sua obra Terapia de Reencarnação, enumera diversas associações alemãs de terapia regressivas, e o destacado trabalho de Torwald Dethlefsen & Rüdigher Dahlke, autores do célebre e clássico A Doença como Caminho, entre outras obras escritas, individual ou conjuntamente.

Na Inglaterra, destacava-se o nome de Roger Woolger, formado pela Universidade de Oxford na Inglaterra, analista junguiano, doutor em religiões comparadas e sistematizador da TRI – Terapia Regressiva Integral e do Woolger Trainning International, conforme já observado antes devido a autoria e indicação de obra de interesse na área.

Na França, o físico e terapeuta Patrick Drouot e a ex-psicanalista Edith Fiore, ambos autores de várias obras do gênero.

Nos Estados Unidos, o psicólogo Ian Stevenson da Universidade da Vírginia, pesquisou mundialmente num estudo multicultural, casos de crianças que lembravam espontaneamente de sua vida pregressa, escrevendo o célebre Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação. O médico psiquiatra tcheco radicado nos EUA, Stanislav Grof, também já citado, que utiliza uma técnica própria e diferenciada, a Respiração Holotrópica, mas que de modo distinto, também aborda experiências de vidas passadas. Há ainda, o ilustre psiquiatra Brian Weiss, que popularizou o tema através de suas diversas obras, acessíveis ao público leigo e que narram sua experiência clínica. Helen Wamback, psiquiatra que trabalha com hipnose e estudos estatísticos de seus casos clínicos de regressão. E finalmente, temos os pioneiros trabalhos do norte-americano Morris Netherton, idealizador da chamada TVP – Terapia de Vida Passada como abordagem psicoterápica e autor de diversas obras sobre o assunto.

Na Argentina, podemos citar o trabalho de José Luis Cabouli, seguidor do método de  Morris Netherton.

No Brasil, a médica paulista Maria Julia Prieto Peres evidencia-se por ter trazido Morris Netherton para formação de uma primeira geração de terapeutas em regressão no país, e, mais atualmente, tendo a companhia de seu filho, citado anteriormente pelo livro escrito, Júlio Prieto Peres, psicólogo clínico, pesquisador e neurocientista, ambos de São Paulo, elaboraram um método próprio de regressão, o qual denominaram Terapia Reestruturativa Vivêncial Peres. Já numa parceria luso-brasileira, temos o psicólogo português Manoel Simão trabalhando com Júlio Peres em pesquisas neurocientíficas sobre os efeitos da regressão no cérebro. Jorge Andréa dos Santos, médico psiquiatra e espírita, autor de inúmeros livros sobre o tema. Philipe Bandeira de Mello, psicólogo junguiano e transpessoal, que ministra treinamento em TVP.  A carioca Célia Resende, com recorrente exposição na mídia e autora de uma obra que aborda a terapia regressiva. Já no Sul, vamos encontrar o bem estruturado trabalho do psicólogo gaúcho Antônio Veiga, ex-professor de Psicologia em diversas universidades e sistematizador de método próprio com o qual ministra cursos de especialização em São Leopoldo/RS, que é onde fiz minha formação em TRT – Terapia de Revivência Transpessoal.

E poderíamos citar ainda muitos outros profissionais e autores não menos importantes, assim como todos àqueles que vêm trabalhando com este aporte de forma discreta e silenciosa, sem muito alarde, mas que realizam um trabalho fundamental para o desenvolvimento do ser humano.

Destaco inclusive que atualmente venho publicando os resultados de uma pesquisa de eficiência realizada em 2013 com uma amostra dos resultados terapêuticos de pacientes de diferentes especialistas em TRT e que se propõe a apresentar a evidência clínica do inegável sucesso desta técnica. São duas apresentações, sendo a primeira levando o título da própria pesquisa: Terapia de Revivência Transpessoal – Um Modelo Emergente em Psicoterapia e sua Evidência Clínica e a segunda com ênfase nos DEPOIMENTOS – Apresentação – volume II dos pacientes desta abordagem.

Mas se há tantos pesquisadores e profissionais mostrando resultados com a regressão no mundo todo, então porque ela ainda não é aceita?

Como se sabe no campo das ciências, nem é tanto o caso de que um cientista consiga provar algo a alguém, mas sim, de que ele configura provas que são aceitas dentro de um “domínio particular” de “ações sociais” que podem ser compartilhadas ou não, pois são mediadas por emoções, crenças e motivações, que por sua vez, podem atrair ou repelir o sujeito, dependendo de suas vicissitudes, afinidades, preferências, etc.

Ou seja, as explicações científicas contrárias invariavelmente falham em convencer seus opositores pelo fator emocional intrínseco a experiência de vida de cada pessoa. Parece que quanto maior a complexidade do fenômeno, maiores são as contradições e mais numerosas podem ser as interpretações, reações emocionais e hipóteses apresentadas.

Portanto, é provável que minhas argumentações sensibilizem mais àquelas pessoas emocionalmente preparadas e interessadas em investigar esse fenômeno levando em conta sua complexidade e não-verificabilidade por um modelo de ciência exclusivamente positivista, nem muito menos pelos teorismos acadêmicos não-injuntivos, mas sim, através de uma metodologia de pesquisa, por exemplo, transdisciplinar, ou seja, uma metodologia de ciência mais ampla e menos ingênua, onde reconhecemos o multinivelamento da realidade, da vida, do ser, do sentir e do saber.

O enfoque transdisciplinar, segundo seus próprios proponentes, pressupõe tanto o “pensamento” como a “experiência interior”, tanto a “ciência” quanto a “consciência”, tanto a “efetividade”, quanto a “afetividade”. O “interior” e o “exterior” como realidades co-emergentes na perspectiva de um sujeito ou sujeitos. Uma postura que substitui o poder e a posse do conhecimento pelo espanto, questionamento e compartilhamento; onde o sujeito se torna consciente de que não é possuidor do conhecimento e de que não se apropria do objeto do conhecimento, mas sim, de que produz para si e seus pares, questões instigantes ao invés de respostas definitivas.

Quais os desafios de trabalhar com a TRT seguindo o Código de Ética do Psicólogo?

A TRT, método empregado em meu trabalho clínico, não viola em nada o Código de Ética profissional a não ser para as pessoas desinformadas.

O que se faz numa regressão é apenas induzir um estado de relaxamento e deixar o paciente entrar em contato com as sensações, pensamentos, sentimentos, emoções que lhe surgem a mente e que estejam ligados a dificuldade trazida como queixa.

Não cabe ao terapeuta julgar definitivamente a “veracidade” de tais percepções ou lembranças, pois muitas são as hipóteses de interpretação e isso fica a critério de cada paciente, não havendo nada de errado em conviver com incertezas. Aliás, são as falsas certezas que levam muitos ao sofrimento. Importa mais é de que modo esse conteúdo acessado pode ser aproveitado positivamente em termos de elaboração e ressignificação das dificuldades psicológicas para a melhora do pessoa.

Nesse sentido, a evidência clínica dos resultados obtidos tem mostrado que a regressão quando bem utilizada e conduzida tem um enorme potencial terapêutico, contribuindo para a saúde e a evolução do individuo e da sociedade.

A evidência clinica atesta inclusive que quando mais abertos as possibilidades estão os pacientes, sem querer impor seus próprios preconceitos e dispostos a transcender algumas de suas próprias crenças limitantes e disfuncionais, que são justamente as que lhes causam o sofrimento, melhores podem ser os resultados alcançados. Cabe ao paciente dar o sentido para sua própria experiência e assumir a hipótese explicativa que melhor lhe convier na relação com o seu próprio vivido. Mesmo que essa visão seja diferente da compreensão do terapeuta, precisam aprender a conviver respeitosamente com essas diferenças e incertezas, pois o acolhimento, não raro, funciona muito melhor do que o convencimento e contêm em si, propriedades terapêuticas.

Ao assumir um diferente personagem numa regressão o paciente pode olhar o seu próprio problema numa perspectiva intrapsíquica a partir de um estado modificado de consciência, tornando-se sujeito e não objeto de suas vicissitudes, podendo atuar sobre as emoções e sentimentos negativos que carrega e reestruturar seus diálogos internos limitantes. Se quiser interpretar isso como vida passada, imaginação, confabulação, etc., ou qualquer outra hipótese é um direito que lhe cabe, pois é uma questão íntima de cada um. Não cabe ao terapeuta converter ninguém ao seu próprio credo. O objetivo é terapêutico!

Nesse sentido, como havia afirmado, é por isso que não tenho como dizer que trabalho com a TVP, muito embora considere e respeite muito a hipótese de que  o conteúdo acessado em uma regressão possa ser originário de vivências passadas conforme o paradigma da reencarnação. Muitos pacientes acreditam nisso e devem ser respeitados, pois se não existem provas cientificas da existência desse fenômeno, tampouco há provas definitivas de que ele não exista. Nesse campo interpretativo, tudo o que se tem são hipóteses, pois é um fenômeno sob investigação.

Assim, a reencarnação enquanto hipótese terapêutica é válida, mas existem outras hipóteses como a do inconsciente coletivo de Jung, memórias transgeracionais, memória genética, teoria holográfica, imaginação, etc. Já surgiram até mesmo hipóteses simplistas como a de “falsas memórias” sugestionadas por terapeutas, no entanto, o processo de misturar e falsear lembranças é natural e faz parte do nosso dia-a-dia, como afirmam neurocientistas respeitados como Ivan Izquierdo. A memória é reconstruída cada vez que é acionada e não há exame que detecte memórias falsas, pois para evocá-las o cérebro usa exatamente o mesmo mecanismo das verdadeiras. Assim, afirmar categoricamente que terapias regressivas criam memórias forjadas ou considerar memórias reprimidas um mito de maneira tendenciosa, leviana e generalizante sem provas cabíveis e impossíveis de se obter na maior parte dos casos, não passa de uma forma genérica de se utilizar dos mesmos mecanismos para implante de falsas memórias para fazer exatamente aquilo a que se acusa os outros, ou seja, forjar resultados de pesquisa científica, sugestionar as pessoas e condicionar suas opiniões, fazendo propaganda sensacionalista, irresponsável e obscurantista sob o rótulo de ciência.

Num outro viés, pesquisadores como o psiquiatra tcheco Stanislav Grof e muitos outros propuseram em suas pesquisas que em estados alterados de consciência as pessoas podem acessar conteúdos do inconsciente profundo, ou subconsciente, transcendendo seus próprios limites biográficos. Antes dele e do próprio paradigma transpessoal, C.G Jung, um precursor deste movimento, já havia entrado em contato com esse tipo de experiência em seus sonhos e de seus pacientes, bem como, através da técnica de “imaginação ativa” que lhe possibilitou uma verdadeira imersão no inconsciente e a criação dos postulados psicológicos da teoria dos arquétipos, dos complexos e da sombra, entre outros, atribuindo a hipótese do inconsciente coletivo como possibilidade explicativa para esse tipo de conteúdo.

Há profissionais que trabalham com a hipótese de que tais memórias possam ser transgeracionais e muitos outros, devido a firme crença na reencarnação por boa parte da população mundial, assumiram a perspectiva de que tais memórias possam ser de supostas vidas passadas.

No entanto, vários pacientes fazem regressão sem acreditar em vidas passadas, preferindo outras interpretações e apresentam resultados também satisfatórios.

Portanto é preciso aprender a circular entre paradigmas, conviver com diferenças e até mesmo incertezas no trabalho com regressão, pois o público é heterogêneo. Compreendo que o Conselho tem a difícil tarefa de fiscalizar um campo controverso e demasiado complexo nesse caso, que exige múltiplas perspectivas. Pois se é verdade que existem nesse meio, profissionais mal preparados e de ética duvidosa, também há aqueles que fazem um trabalho sério, honesto, dedicado, ético e com respaldo teórico-prático.

Por isso, convém a todos, precaver-se ante os excessos e julgamentos inquisidores precipitados ou baseados em desinformação e preconceito, principalmente aqueles que detêm o poder, como em órgãos de classe, pois a história está repleta de tristes exemplos de como costumamos abusar de posições de autoridade na condenação de nossos semelhantes pelas diferenças que não aceitamos, nem compreendemos ou tememos.

Você acredita que os psicólogos que trabalham com técnicas emergentes – como a regressão – conhecem, entendem e concordam com o Código de Ética?

Tenho minhas dúvidas se os psicólogos teriam como ter a mesma visão do que seja Ética. Assim como os religiosos do que seja Religião, os filósofos do que seja Filosofia e os cientistas do que seja Ciência. Há discussões históricas e infindáveis nesses campos, logo um Código de Ética se torna “falso moralista” quando pretende reduzir todos os tipos de experiências a um determinado tipo de paradigma.

A própria Psicanálise foi ridicularizada e combatida fervorosamente em sua época e mesmo ainda hoje não é aceita cientificamente por muitos, nem passaria num crivo cartesiano como o que é exigido de novas técnicas ditas “alternativas”. Há muito jogo de poder, interesses e motivações não-reconhecidas por detrás desse discurso oficialista cientifico incoerente, nitidamente preconceituoso e contraditório. Até mesmo porque muitos dos profissionais que atuam nos conselhos e que adotam essa postura de “provem para nós, por gentileza”, conhecedores dos meandros pós-modernos que são, estão bem a par das contradições e limitações desse mesmo discurso cientifico que invocam quando lhes interessa.

Assim banaliza-se a fiscalização de novas práticas jogando todos os profissionais num valão comum, pois não há interesse verdadeiro em se abrir espaço para isso devido ao mero corporativismo ou ortodoxia, tendo em vista que algumas dessas técnicas, como a terapia regressiva, há décadas têm extenso referencial teórico-prático, e sustentam-se num paradigma diferente, mas não menos válido do que o da própria Psicanálise ou até mesmo do Cognitivismo, que vale lembrar, em suas origens, bebeu da fonte do Budismo para sistematização de sua teoria e práxis.

Creio que seja um grande desafio para o Conselho contemplar as diversidades entre as psicologias sem a demagogia dominante na atualidade. O mesmo vale para as faculdades de Psicologia onde predominam determinadas correntes em detrimento a outras, como verdadeiras “igrejinhas” atrás de mais fiéis.

No entanto, para crescer enquanto Ciência e Profissão será preciso um esforço de todos para superar ranços internos, ir além dos discursos oficialistas incoerentes que apelam ao cientificismo reducionista e reconhecer a demanda de diversidade social que exige e carece de múltiplas psicologias, amparadas por diferentes ciências e paradigmas e não de duas ou três correntes somente que excluem as outras e seus profissionais e junto com eles, o público que se identifica e necessita dessas outras abordagens, pois nos vários segmentos da sociedade há diferentes necessidades e carências, havendo espaço para muitos tipos de psicologia.