Pare de correr atrás da felicidade, busque consciência!
Há coisas na vida que não se pode obter diretamente, pois o foco na sua falta reforça seu oposto que também é parte da realidade. A busca pela felicidade é um exemplo disso, pois quanto mais você busca felicidade, mais pode salientar a sua falta. Outro exemplo é o amor. Quanto mais você cobra amor, mais evidencia para si sua ausência. Então, ao invés de buscar a felicidade e o amor, será que não seria mais apropriado você investigar dentro si todas as barreiras que você criou a esse respeito e que tem te impedido de ser feliz ou de vivenciar o amor?
Veja que nada do que você busca no exterior ou fora de si vai preencher seu vazio e resolver suas ânsias, agonias e carências, seja por falta de amor ou de felicidade, enquanto existir algo em seu próprio interior, aquilo que você não sabe sobre si, mas sente e carrega, atuando como uma espécie de energia oculta de sinal trocado, chame-a de sombra, ou de inconsciente, ou como queira chamar essa dimensão eclipsada na sua dualidade existencial, com a sua consequente luta entre pares de opostos, e que pode simplesmente persistir bloqueando, iludindo, desvirtuando, sabotando as suas melhores intenções.
É preciso considerar que a realidade dualística implica também em uma sombra que não pode ser erradicada totalmente de modo algum, pois faz parte de nós e da anatomia da vida, como um membro de nosso corpo existencial e tão inevitável quanto qualquer outra gama de polaridades, tal como: positivo e negativo, escuro e claro, bem e mal, e naturalmente, luz e sombra.
Sendo assim, você se depara com uma dialética daquilo que está à luz de sua consciência e que você percebe, e por outro lado, daquilo que está na sua sombra e você não consegue perceber, mas que te constitui, pois é subliminar e inconsciente. Portanto, faz mais sentido incluir essa sombra na sua equação de vida do que pretender ignorá-la, a deixando a revelia, e por conseguinte, sabotando seus projetos com programações contrárias aos seus planos de vida.
Por isso é altamente recomendável desenvolver uma consciência maior a respeito dos mecanismos da mente que podem sabotar sua felicidade, pois esse é sempre o melhor meio de se abrir para viver a felicidade e o amor que estão ao seu alcance, bem ali a sua frente, inclusive onde você nem se permitia ver antes e quem sabe mais além, uma vez que você se disponha ao autoexame honesto de sua própria consciência.
Desse modo, o que proponho é algo menos idealista e afável aos olhares imediatistas de uns ou aos melindres de outros, pois certamente é menos agradável de se saber ou menos romântico de se afirmar que a felicidade não tem como se moldar ao nosso ideal e as nossas ideologias de como deva ser, e que a vida é impermanente, corrediça como o tempo, de modo que as coisas não param e nos escapam, alternando polaridades entre o bem e o mal. E é justamente por isso que uma consciência mais virtuosa, profunda e que se desenvolva para lidar com essa ambivalência humana, nos é requerida.
Isso tudo implica em reconhecer que somos os principais responsáveis pela nossa felicidade ou infelicidade. Que somos responsáveis pela carência de amor em nossas vidas. E, portanto, autorresponsabilidade e sentido são valores que não podem ser encontrados fora sem levar em conta o nosso sentir, a nossa dimensão afetiva e as nossas emoções e seus vieses. Ou tudo aquilo que em sua polarização negativa possa estar a nos reter, a obstruir a nossa felicidade e a restringir a nossa capacidade para o amor.
Então, ao invés de buscar a felicidade e o amor fora, você faria melhor assumindo a sua parte de responsabilidade existencial e social. Assumindo a sua dimensão afetiva, o seu sentir e o apercebimento das suas emoções nas relações. Logo, integrando esses aspectos à razão. Assumindo também a responsabilidade pelas suas insatisfações, treinando a sua gratidão. E praticando a espiritualidade no dia a dia pela atenção plena em suas tarefas cotidianas. Mais ainda: assumindo a responsabilidade pela sua sombra, percebendo suas zonas anestesiadas e partes maléficas, muitas vezes espelhadas pelos outros, a demandar tanto limites ou autodefesa, quanto luz e perdão, sobretudo redenção e discernimento. Em suma, assumindo genuinamente a responsabilidade e o dever de educar a sua própria consciência, para o conhecimento e para o autoconhecimento, a fim de que você lembre seu “propósito” maior nesse mundo de esquecimento.
Enfim, assumindo a autoria e o protagonismo do seu próprio viver. A responsabilidade em estar presente, em estar aí, meditar a vida e enfrentar sua agruras com dignidade, travando o bom combate e cultivando a postura de humilde aprendiz diante dos desafios. Mais ainda, exercitando andar com a coluna ereta e viver uma vida mais plena de significado, que te oportuniza contemplar momentos de uma felicidade legítima, mesmo que impermanente, e encontrar tanto dentro de si, quanto nas suas relações, a experiência de um amor real e mais autêntico, o único verdadeiramente capaz de ampliar, trazer profundidade e fazer evoluir a sua consciência.