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Rebaixamento de humor e o Inconsciente Coletivo

O inconsciente coletivo é um reservatório de imagens latentes, chamadas de arquétipos ou imagens primordiais que cada pessoa herda enquanto predisposição para reagir ao mundo da forma que seus ancestrais faziam, predisposições para pensar, entender e agir de certas formas que podem ser acionadas por uma série de influências interativas e gatilhos sociais.

Nossa “sombra pessoal” pretensamente não aparece nos noticiários como a Sombra Coletiva que se move nas massas, nas hordas de coletivos e nas tragédias sociais, mas pode, no entanto, sintonizá-la.

O contágio cultural ou psíquico, também chamado de possessão coletiva por Jung, decorre de episódios de forte comoção e afetação geral na sociedade que acionam repertórios negativos do Inconsciente Coletivo.

Se nos portamos de modo desavisado perante o sensacionalismo midiático e sua propaganda de massa podemos ser facilmente absorvidos pelo contágio psíquico, rebaixando a nossa consciência, recaindo na amálgama de atribulações sombrias que se conecta ao Inconsciente Coletivo e suas programações de sofrimento.

Como o contingente de pessoas em nossa sociedade que não trabalha apropriadamente a sua psique é vastamente maior do que aquele que cuida da sua saúde mental, isso cria uma grande massa amorfa e modelável que é a coletividade, propensa a identificação compulsiva, visceral e primitiva com toda uma série de manipulações sócio-culturais e midáticas.

Em sua obra “Civilização em Transição”, C.G Jung afirma que: “O homem coletivo tenta sufocar o individual, em cuja responsabilidade praticamente todo o trabalho humano reside. A massa como tal é sempre anônima e irresponsável, e os chamados “líderes” (fuhrer) são os inevitáveis sintomas de um movimento de massa. Os verdadeiros líderes da humanidade são aqueles que tomam conta de si mesmos, aliviando as massas do seu fardo, mantendo-se conscientemente distantes da cega lei natural das massas em movimento. Mas quem será capaz de opor-se a esta força magnética que tudo domina, onde um se agarra no outro e o arrasta consigo? Somente disso é capaz quem não vive apenas no mundo das exterioridades mas tem seu mundo interior.”

Entrementes, eu particularmente considero desnecessário para me manter bem informado ficar acompanhando muitas das narrativas midíaticas e a propaganda dos canais de comunicação que exploram a tragédia humana. A mídia oficial ao meu ver nunca foi confiável e isso só vem piorando. Para os mais atentos ela se tornou exímia em causar cada vez mais repulsa em sua militância vil e panfletária que segue agendas pérfidas, funcionando muito mais como assessoria de imprensa de poderosos interesses do que jornalismo sério.

Ademais, para além dela, também questiono muito determinadas figuras parapsíquicas que estão sempre propagando previsões alarmistas e catastrofistas nas redes.

Avisos, tendências, opiniões e notícias podem ser úteis, claro, mas com filtro, sem excessos, sensacionalismo ou exploração vil e banalização. Ou seja, principalmente, desde que apliquemos o filtro da nossa consciência mais aprofundada, mais trabalhada e ressaviada aos temas sociais de maior interesse.

Menos ingenuidade, menos militância e bem menos ideologia são aconselháveis a temas de maior complexidade em que polarizações são usadas para levar as pessoas a desviar o olhar de suas próprias sombras, preferindo sempre julgá-las e projetá-las nos outros, que é o mais fácil de se fazer.

Questione-se mais, reflita mais, condene menos. Esteja atento. Aplique seu discernimento nos gatilhos sociais que estão ocorrendo a sua volta. Fica a dica que devemos estar atentos a esses movimentos de massa, pois não ajudamos causa social alguma rebaixando nosso estado psíquico.

Logo, evite retroalimentar o Inconsciente Coletivo com mais ódio, medo e terror, pois isso talvez seja o melhor que se pode fazer diante da complexa insanidade que se repete desses conflitos que remontam à ancestralidade humana, cujos líderes e a mídia são apenas servos teleguiados.

Ajude uma causa primeiro cuidando de si, do seu estado vibratório, não se polarizando tanto, buscando situar-se em seu centro, num estado de presença ou alinhado a sua essência. Depois, a partir desse estado de centramento envolva as vítimas e os algozes em suas orações e meditações, reverta sua indignação em ação depurativa de dissipação dessas sombras.

Portanto, eu não estou dizendo pra você não sentir o negativo como se pudesse controlar o espoletar de suas emoções ao deparar-se com os gatilhos de acontecimentos sociais negativos. Eu também não digo a você pra negligenciar ou dissimular o negativo recaindo numa positividade tóxica. O que digo é que você pode reverter o negativo em positivo, olhando esse negativismo e usando-o em favor de sua prática espiritual, de sua elevação vibratória, através de exercícios conscienciais, como respiração profunda, reprogramações mentais e visualizações criativas. Desse lugar de ressignificação integrativa você pode inclusive delimitar e exteriorizar muito melhor seu posicionamento social. E isso tudo está sim ao seu alcance.

Então, o melhor trabalho íntimo e social que você pode fazer é parar de projetar suas sombras no mundo, revertendo o negativo em positivo ao invés de entregar-se ao rebaixamento da sua consciência.

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2 Comentários to “Rebaixamento de humor e o Inconsciente Coletivo”

  1. Maya Matos disse:

    Obrigada 🙏🏽 pelo esclarecimentos tão concientes!

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